Bandeira do Reino Unido em oposição à Rússia

O Reino Unido acusou a Rússia de colocar em risco a segurança nuclear da Ucrânia ao intensificar ataques contra a infraestrutura energética do país, durante declaração feita no âmbito do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Segundo Londres, as ações russas vêm degradando deliberadamente os sistemas elétricos dos quais as usinas nucleares ucranianas dependem para manter operações seguras.

Na avaliação britânica, os ataques ignoram resoluções e declarações anteriores do próprio Conselho, incluindo uma resolução de dezembro de 2024 sobre os riscos da instabilidade energética para a segurança nuclear e uma declaração de novembro de 2025 apoiada por 57 países. Apesar desses alertas, o Reino Unido afirma que Moscou não apenas manteve, como intensificou suas ofensivas, agravando rapidamente o cenário.

Relatórios sucessivos do diretor-geral da AIEA apontam uma deterioração acelerada da rede elétrica ucraniana desde o fim de 2025. Em 5 de dezembro, a Agência alertou para o risco de degradação contínua da rede e destacou que subestações atingidas são indispensáveis para o resfriamento dos reatores. Dias depois, em 11 de dezembro, interrupções de energia passaram a provocar flutuações de produção, desligamentos forçados e desconexões temporárias em usinas nucleares, levando a AIEA a classificar a fragilidade da rede como um dos maiores desafios à segurança nuclear no país.

A situação se agravou em 19 de dezembro, quando a usina nuclear de Zaporizhzhia sofreu sua 12ª perda total de energia externa. Segundo a AIEA, os ataques à rede elétrica aparentam ser coordenados para maximizar a interrupção, gerando impactos cumulativos nas operações da planta. Poucos dias depois, em 23 de dezembro, as usinas de Khmelnytskyy e Rivne foram obrigadas a reduzir novamente sua produção após o atingimento de subestações críticas, levando os monitores da Agência a classificarem a rede como a pior desde o início do monitoramento.

Em janeiro, os relatórios continuaram a registrar danos adicionais a subestações, desconexões repetidas de linhas de transmissão em Chernobyl, ativações frequentes de geradores a diesel de emergência e novas reduções de produção em usinas em operação. De acordo com a AIEA, a persistente atividade militar tem implicações diretas e crescentes para a segurança nuclear da Ucrânia.

O Reino Unido também apontou contradições na postura russa. Em 19 de janeiro, o chefe da estatal Rosatom alertou que a dependência da usina de Zaporizhzhia de uma única linha de transmissão representa uma situação crítica para a segurança da instalação, enquanto, simultaneamente, a ação militar russa continua a comprometer a estabilidade da própria rede elétrica considerada essencial.

Londres rejeitou ainda o argumento russo de que as interrupções externas seriam insignificantes ou estariam fora do mandato da AIEA. Segundo o Reino Unido, os relatórios da Agência deixam claro que a energia fora das instalações nucleares é fundamental para o resfriamento seguro de reatores e combustível irradiado, e que a redução dessa margem de segurança representa um risco concreto às operações nucleares.

Ao final da declaração, o Reino Unido condenou o que classificou como desrespeito imprudente da Rússia à segurança nuclear e instou Moscou a atender aos alertas do diretor-geral da AIEA e às advertências reiteradas do Conselho.

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