A Câmara dos Deputados terá uma disputa pela reeleição um pouco menos concentrada nos atuais parlamentares em 2026. Dos 513 deputados em exercício, 437 decidiram tentar renovar o mandato, o equivalente a 85,19% da composição atual da Casa.
O número é menor que o registrado na eleição de 2022, quando 448 deputados disputaram novamente uma vaga na Câmara. São 11 parlamentares a menos buscando permanecer na Casa neste ano.
A diferença, embora não permita antecipar o grau de renovação que será observado na próxima legislatura, abre mais espaço para novos nomes na disputa. O resultado, porém, dependerá do desempenho dos atuais deputados e dos candidatos que tentarão ocupar as vagas deixadas em aberto.
Disputa pelo Senado ganha força
Um dos principais motivos para a redução no número de deputados que tentam a reeleição está na maior quantidade de parlamentares que decidiram mudar de alvo nesta eleição.
Em 2026, 42 deputados federais concorrerão a uma vaga no Senado. O número é o dobro do registrado em 2022, quando 21 deputados fizeram esse movimento.
A diferença está relacionada também ao número de cadeiras em disputa no Senado. Em 2026, cada estado e o Distrito Federal elegerão dois senadores, enquanto em 2022 estava em disputa uma vaga por unidade da Federação.
Também aumentou a quantidade de deputados que vão tentar uma vaga nas assembleias legislativas. O grupo passou de seis, em 2022, para 11 neste ano.
Além disso, cinco deputados em exercício concorrerão ao cargo de governador, um disputará a Vice-Presidência da República, um será candidato a vice-governador e três disputarão o cargo de primeiro suplente de senador.
Outros 13 deputados não concorrerão a nenhum cargo eletivo em 2026.
Poder do mandato pesa na disputa
Apesar da redução, a grande maioria dos deputados ainda optou por tentar permanecer na Câmara. Para o diretor de documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Neuriberg Dias, os parlamentares que já estão no cargo partem de uma posição diferente daqueles que buscam um mandato pela primeira vez.
Em entrevista ao programa Painel Eletrônico, da Rádio Câmara, Dias citou entre essas vantagens o acesso ao Fundo Eleitoral e a possibilidade de destinar emendas parlamentares individuais.
Na avaliação do diretor do Diap, as emendas impositivas mudaram a relação dos parlamentares com suas bases eleitorais, ao permitir que recursos sejam destinados diretamente a prefeituras e programas. Segundo ele, esse mecanismo cria condições diferentes para quem já exerce o mandato em comparação com os candidatos que tentam chegar ao Congresso pela primeira vez.
Esse cenário ajuda a explicar por que, mesmo com a migração de parte dos parlamentares para outras disputas, 437 dos 513 deputados em exercício ainda estarão nas urnas tentando continuar na Câmara.
Renovação da Câmara só será conhecida após a eleição
A saída de deputados que decidiram disputar outros cargos cria vagas potencialmente disponíveis para novos candidatos, mas não significa, por si só, que a Câmara terá uma grande renovação em 2027.
Isso porque parte dos atuais deputados pode não conseguir a reeleição, enquanto candidatos que hoje não ocupam mandato podem conquistar as cadeiras em disputa. Por isso, o número de candidaturas é apenas um dos elementos para avaliar a composição da próxima Câmara.
O cenário também pode sofrer alterações até a definição final das candidaturas. O prazo para registro terminou em agosto, mas os números ainda passam pela análise da Justiça Eleitoral. Em 2022, por exemplo, mais de 1,1 mil registros foram considerados inaptos.
Por enquanto, o dado mais claro é o movimento de parte dos atuais deputados para outras disputas. Enquanto 11 parlamentares a menos tentarão renovar o mandato na Câmara em comparação com 2022, o número de deputados que buscarão uma cadeira no Senado dobrou.
A composição da Câmara a partir de 2027, no entanto, só será conhecida depois da votação e da definição dos eleitos.


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